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Poetica tibi

Poética para ti

Poemas para ler, sortear e buscar por palavra.

Cláudio Loes

À PROCURA DO AMOR ETERNO

Rompem-se os grilhões

Neurônios saltam longe

Limites foram despedaçados

Portas destruídas

Um sopro forte

Intenso como um raio

Trouxe mais para perto

A chuva que banha a mesmice

Nesse deserto de solidão

Enterrado na areia fria

O vivente olha

Clama alto para os céus

Onde estará a bela que amo?

E a morte que prometeu

Não abandonar ninguém?

Que venha logo, quero sair daqui...

A VIDA

Viagem que começa

Com as estrelas

Segue por caminhos

Sem destino

Cada curva

Uma surpresa

Florida de sol

Pelos encantos perfumada

As retas

Deixam soltos

Os pensamentos

Mais loucos

Não existe

Chegada

Só um instante

Para sonhar

ACORDAR

Acordei meio estranho

A cabeça estava leve

Sai bem devagar

Para que ela ficasse assim

Enorme alívio não estar ocupado

Todas aquelas notícias

Informações de ontem

Que já não lembro mais

Parei no corredor

As paredes estavam vazias

Nada de estantes e livros

Quadros, estátuas, luzes

Como foi bom acordar assim

Decidi que já estava bom

Chega de sonhar acordado

Abro os olhos para seguir a vida

ACREDITAR

Quando as paredes se fecham

As portas e as janelas emperram

Nada a ser feito

Grita alto o pessimista

Tem alguma ideia?

Arrisque uma, por favor

Nada de perder a chance

Uma saída sempre existirá

Tente mais um pouco

Se pensar encontrará

Uma nota celestial única

A vida em eterno recomeço

Saia dessa prisão fedorenta

Solte a ancora de seu navio

Existe uma saída possível

Singre pelo impossível

ADVENTUS

Anseio por tua chegada

A vinda pelas frestas

Num raio de luz

Que apaga toda escuridão

Sem nada que detenha

Sempre fazes morada

Apaziguas os corações solitários

Enches de sentido a vida

Sou sempre muito grato

Pela companhia desde que nasci

Hoje lembro e agradeço

Por te ver brilhar

Sempre lindo e maravilhoso

Espero por ti nas madrugadas

Teu calor é meu sustento

Sol de todos os dias

AUSÊNCIA

Bem mais longe quero ir

Voar pelas asas da aurora

Entre folhagens leves

Pelos campos afora

O Norte da bússola

Aponta teu olhar sedutor

Guardado na lembrança

Que sempre me tortura

Quero te encontrar

Fugir das mágoas secas

Mergulhar fundo na alma

E nunca mais voltar

Um desejo bem guardado

Pelos passos pesados

Que carregam sem desfalecer

A tristeza de tua ausência

BALANÇO

O pêndulo vai

O pêndulo volta

O barco sobe

O barco desce

Algo se perde

Ou se apaga pra mim

De tic em tac

O novo começa

Algo floresce

Um balanço

Para a vida balançar

Vai lá em cima

Depois volta

BELA

Surgem raios de luz.

Um sorriso incandescente

Acende a chama do amor,

Acolhendo os sonhos de ontem.

Segue a música pianíssima,

Os dedos sentimentais,

O movimento inquieto

Do corpo majestoso.

O olhar secreto

Apresenta um convite;

Voar com a brisa cantante

Sem pressa para voltar.

Olho daqui mais uma vez.

Ela esmaece nos últimos frames,

Uma passagem marcante

Deixando um até mais...

BELO

No silêncio dos gritos

Uma nova possibilidade

Brilhou com dor

No auge do esforço.

Os dias se seguiram

Mescla de gemidos e risadas,

Triunfos e derrotas,

Porque viver era a única opção.

Nada para ser feito

Com a morte no retrovisor.

Foi preciso dar o primeiro passo

E outros mais para fazer o caminho.

Tudo para chegar aqui

E descobrir que o belo

Nasce na solidão,

Sem nada nem ninguém.

BOM DIA

Estrela da minha vida,

Todos te chamam de Sol,

Para mim és único,

A paz de nossa existência.

Marcas nosso tempo,

Início e fim do dia.

Sempre fazes lembrar

Da natureza e de seus ciclos.

As plantas aprenderam

Que de ti tudo emana.

A luz produz o alimento,

O calor dá valor às árvores.

As palavras já não assinam

O amor que sinto por ti.

Só posso agradecer, silenciar,

Por mais um dia para viver.

BORRÃO

Brinco com as palavras

Sem querer algo mais

Elas passam bem de leve

Para não manchar o papel

A tinta quando corre

Pode fazer belo borrão

O leitor não vai perceber

Nem pensar que é poesia

Poesia moderna num borrão

Pode ficar pálida depois

As palavras no poema

Sempre ficam mais polidas

Vamos para o final

A mancha de tinta inspirou

Trouxe um dia diferente

Assim como estes versos

BRISA LEVE

Abriste meus lábios

E fiquei teu vassalo

Guardaste-me nos braços

De onde jamais saí

Quão feliz sou

Por estar contigo

Todo o sempre

Sem nenhuma dúvida

Teus encantos

Seduziram meu ser

Que se deixou levar

Como brisa leve e perfumada

Não sei quanto tempo resta

Nesta terra dos encantos

O coração já sente o aperto

Da despedida fria e silenciosa

CERTEZA?

Certeza de tudo

Não é comigo

Tudo é tão dinâmico

Tão líquido

Tão sem rumo

Mas...

Querido, mas

Começo a ter

Uma ponta de certeza

Todos estão loucos

Pensam que entendem tudo

E no fundo nada acontece

Será que estou certo?

Será que você está certo?

Como fica no final da história?

CUIDADO!

O atestado não venceu

Garantia do doutor

Só mais esta semana

E a rotina começa de novo

Disseram que sou normal

Ando com dois pés

Aceno com as mãos

E o piso fica seco

Depois disseram mais

Que sou charmoso

Sem mostrar os dentes

Para devorar o primeiro ignorante

Tenho forte sedução

Desconfio que sim

Por isso vou pedir para manter distância

Posso partir seu coração

DECLARAÇÃO DE AMOR

A beleza dele é grande

Meu coração se derrete

Para sempre deslizar com ele

Como lava de vulcão

Calmo, paciente, seguro de si

Finge, às vezes, estar longe

Seu beijo de todas as noites

Caminha comigo até o amanhecer

Sem dizer nada mais

Pois ele sabe tudo sobre mim

Espero em silêncio

Espero seu “sim” na alvorada tímida

Sou feliz

Na companhia

Do meu amado, o tempo

O que seria de mim sem ti?

DECLARAÇÃO DE AMOR

Amo você minha querida

Amo você

Amo

Sempre amarei

Pelas montanhas

Pelos vales

Pelas corredeiras

Pelas matas

Sonharei seus sonhos

Voarei em suas asas

Seguirei sua sombra

Caminharei seus passos

Amo você minha querida

Amo você

Amo

Sempre amarei minha vida

DESCARTE

Dizes que sou ingrato

Por tudo aquilo que me dás

As coisas a mais

Que não estou precisando

Tudo isso não preenche

O abismo entre nós

A apreciação negativa

Que não estimula a melhorar

Tudo sempre repetitivo

Mais do mesmo sabor

De sol a sol

De lua a lua

Viver é lava que corre

Nem sei como fazer melhor

Sei que tirar as coisas é começo

Para que possamos nos encontrar

DIZER ADEUS

Uma existência, um caminho.

Cada um deixa rastros,

Alegrias e tristezas,

Pegadas manchadas de lágrimas.

A vida é dura

E a sorte nem sempre sorri.

É preciso seguir a vida

Com muita determinação.

Ao lado estão outros do bando,

Seguem também deixando

Suas marcas e assinaturas,

Seus sonhos e devaneios.

Como será um dia sair daqui?

Sair desta cadeira confortável,

Subir no palco e olhar para todos,

Sorrir e dizer adeus.

ENCONTRO REAL

Em cada ponta virtual

Novas facetas,

Sorrisos incertos.

Sonho com abraços reais.

Tempo esquisito o nosso,

Uma nebulosa em nossas vidas.

Deveria ser colorido e bonito,

Tem sido quadrado e colorido.

Seguimos assim em duas pontas,

O sorriso da deusa,

A meiguice do olhar sincero,

A vontade de estar junto.

Tudo precisa de um grande passo

Depois de se perder no teclado.

Não quero mais nada

Apenas um encontro real.

ESPERA INSANA

Noite de minhas aventuras

De saltos no escuro

De janelas fechadas

Sem trepadeira nas paredes

Estou aqui embaixo

A janela está escura

Serão as cortinas?

Estou num dia incerto?

Faltou combinar contigo

Cheguei muito cedo

Deves estar no banho

Tenho ciúmes da banheira

Tudo isso não importa

Vou ficar aqui esperando

A lembrança de ti me conforta

Anseio ver-te ao vivo e em cores

ESPERANÇA ARDENTE

Trouxe o rio

Bela flor juvenil

Cabeça pirou

Sonhos passados

Desejos futuros

Nada restou

Passa o sol

Passa a lua

Passam águas

Vai-se a tristeza

Fica a esperança

De mais uma vez

Ver bela flor

Passar graciosa

Nas águas do rio

ESPERANÇA POÉTICA

Quando tudo parece perdido,

Destruído pela insensatez de poucos,

Moído pelos horrores da guerra,

O recomeço estará num poema.

A existência medíocre

Deixa de lado a ignorância

Para velejar nas ondas da vida;

Dribla a morte a cada momento.

Pare um pouco,

Pense,

Acredite,

Dê vida ao poema e o poema retribui.

Alguns versos,

Uma estrofe,

Mais outra

E começamos a ter esperança.

FINGIDOR

Continuarei sendo o fingidor

Aquele que sente dor e sorri

Que erra e nem por isso desiste

Aquele que agradece a vida

Por ficar sempre ao meu lado

Na alegria e na tristeza

Aquele que agradece a morte

Por continuar com seus atrasos

Aquele que ainda finge

Finge estar de pé acordado

E que pensando

Pensa enganar a todos

FORÇA DE UM SOM

Tocam os martelos

Para acordar a noite

Antes da chegada da lua

Entre nuvens lacrimosas

Todos os passos

Seguem em cadência

Para o precipício

Do fim de todos

No caminho a esperança vive

Em saltos curtos

Para tornar o viver alegre

E a partida um prêmio

Seguem assim os viventes

Passando pela vida

Colhendo migalhas de emoções

Até o fim

FORÇAS PARA VIVER

Sonho todas as noites.

Sonho todos os dias.

Sobra muito para viver

E mais ainda para sentir.

Sonho com a paz,

Aquela por inteiro,

Sem meias medidas

Ou meias atitudes.

Um sonho exigente.

Precisa ter coragem, ser louco,

Para acreditar que virá,

Que será, um futuro bom para todos.

Um sonho de todos,

Um caminho por ser feito,

A visão comum,

A paz que dá forças para viver.

FUGA

Vamos!

Acorde!

Está na hora de partir

As flores estão por toda a parte

O sol começa tímido

A brisa rastela as folhas

Os pássaros esticam suas asas

E nós elevamos nossos braços

Vamos!

Mais rápido!

O caminho ainda é longo

Precisamos acreditar no impossível

A vida marcha lentamente

Pela agonia da existência

Será melhor quando estivermos longe

Bem longe daqui

GRANDE DIA

Estão todos aqui?

Sim.

Ainda bem que vieram,

Será inesquecível.

O momento passageiro

Da passagem derradeira.

Quando valsa a morte,

A majestade sorrateira.

Ela sempre esteve por aí.

Hoje veio com convite.

Sou seu melhor anfitrião

E não irei decepcionar.

Toquem os sinos, Hells Bells.

Muito rock e chope.

O ápice deve ser comemorado.

Nada de tristeza na partida.

ILUSÃO

Ilusão é a turba

Dançante para seu fim

Do colo que aconchega

A morte por vir

Todos gostam da ilusão

Que mata aos poucos

Na taça inerte

Das paixões irreverentes

Quanto sinto a falta

Das sombras em preto e branco

Resistindo a toda ignorância

Escondida num vinho

INGRATO?

Nas linhas que partem

Fica o sol de um lado

A lua de outro

Separados pelo desamor

Já nada nascerá

Quando não se tem

O brilho do ser

Da vivência com o outro

Com os pais ocupados

Sem tempo para seus filhos

É construído um muro triste

De coisas acumuladas e fúteis

Será preciso ser ingrato

Para com coisas inúteis

E gratíssimo pelas pessoas

Que amam e querem ser um só

INTERROGAÇÃO

Saí para brincar por aí

Como criança curiosa

Perguntei de tudo

E sempre mais

Todos ficaram calados

Nunca ouviram perguntas

Saberiam perguntar?

Teriam condições para viver?

Fui em frente

Cada vez mais fundo

Descobri que o vazio é belo

O amor é mais leve que pluma

Tudo depende da pergunta

Nunca da resposta

O universo é muito maior que nós

Queres me acompanhar?

LIBERDADE PARA CRIAR

Querem tudo certo

Levado numa linha reta

Numa norma rígida

Que muda com a evolução

Nada de perfeição

Melhor o risco incerto

O rabisco sem pressa

A fotografia única

Pertenço aos versos soltos

Que vagam pelas brumas

Dos neurônios loucos

Para escapar aqui e ali

Pode ser só uma frase

Um poema minimalista

Uma arte com palavra e imagem

Não importa como

Importa sempre ser livre para criar

LUA BELA

Quem olha para ti

Nas noites solitárias

Jamais estará só

Mais alguém estará

Olhando para ti

Viajando para bem longe

Sonhando com outra possibilidade

Faltará somente um encontro

Ao vivo e a cores

Para sob teu olhar único

Brindarem à paixão

Triângulo amoroso lunar

MAIS UM DIA

Na viagem sem volta

O dia de hoje se perdeu

Saiu meio de lado

Até brilhar no horizonte

Passou rasante além das nuvens

Sem esperar mais nada

Foi decaindo em silêncio

Com os últimos gorjeios

Agora um instante

Um click silencioso

Na paz da noite rubra

Para aquecer o retorno

O silêncio impera

As aves estão dormindo

Passo sem pressa

Para deixar a noite vir

MAIS UMA CHANCE

As lágrimas escorrem geladas

Pelas vaidades da existência,

Escondem o medo

E o desejo do poder insano.

Poderás acreditar em tudo,

Passar para o outro lado,

Mudar a face para escapar,

Apagar qualquer pegada...

O tempo será implacável,

Ficará esperando a oportunidade

Para apresentar a conta

Dos desmandos dementes.

Aí poderá ser tarde

Dirão os melancólicos.

Uma grande chance para mudar

Dirá a vida mais uma vez.

MELHOR A DOIS

Nunca duvide dela

Milagres acontecem

Até a dama de vermelho

Virá com a chuva forte

Tudo escorregadio

Deslizei para dentro

Seu olhar sedutor

Deu vida ao mortal

Mais um brinde

Uma risada surpresa

As palavras balançam

A mesa está firme nas ondas

Chega o acorde maior

A batida do coração

A alegria a dois

Melhor que tudo o mais

MELHOR A DÚVIDA

Busco com grande prazer

O novo além da curva do rio

O outro lado da lua

Onde nem o sol ousa ir

Se preferir ficar aqui

Respeito a sua decisão

Só não queira me prender

Na âncora da argumentação vazia

Seguirei em frente

Com toda a força que tenho

Para respirar minha liberdade

E ter direito à vida

Jamais vou querer

Ser mais do mesmo

Melhor a dúvida da existência

Do que a certeza da ignorância

META

Meses líquidos

De luas infinitas,

Ficar é morrer,

Saltar é viver.

Da terra nada mais resta,

Somente a doce lembrança

Do invólucro resistente

Para explodir hoje.

Quanto passado

Cativo na memória.

As sementes, os seres vivos,

Lado a lado evoluindo.

Quem somos nós?

Já não importa.

Temos nossa meta,

Viver é enganar a morte.

MUDAR É PRECISO

Sinta!

Tudo dá sinais,

Os pássaros silenciam,

O calor amaina.

Os passos leves

Conduzem aos abismos.

Só com vigor

Conseguirás saltar o vazio.

Viajar!

Ir mais longe,

Sem saber o destino,

Só ir em frente.

Tudo é possível.

Por que teimar?

Queres mais do mesmo

Sem futuro algum?

MUDAR SEM MEDO

Venha logo

Precisa ser rápido

A janela está para fechar

Os olhos ficarão pesados

Isso, mais rápido.

Passe pelo acaso,

Sinta o aroma da esperança,

Coloque mais energia no ser.

Será cada vez mais fácil.

Não desista ainda,

Dê uma chance para a mudança.

Ela quer ficar conosco.

Agora que saltamos

A vantagem é nunca saber

Onde fica o final.

Só sabemos que existe.

MUSA SEDUTORA

Ela olhou

Passou bem devagar

Sorriu para as flores

Banhada pelo arco-íris do chafariz

Todos pararam

Esperavam a dança prometida

As flores bailavam com a brisa morna

O primeiro acorde

O salto no escuro

O rodopio perfeito

Mais um dia com a vida querida

NA ADVERSIDADE

O bambuzal baila sem se opor

Sopram os ventos das ilusões

Uma virada para lá

Outra para mais abaixo

Adversidades... tormentas...

São tantas... a todo momento

Força e dureza apaixonada

Só ferem mais fundo

Sorrir... dançar...

Um passo leve para lá

E outro solto mais pertinho

Para dar início a outro baile

Relaxar a oportunidade

Preparar-se para saltar

Depois... voar rumo ao abismo

Ganhar potência e viver mais

NA TERRA DE HERÓIS

Na terra de heróis

Sou poesia insana

Para assombrar

Tudo o que vejo

Passam rápido

Tentam despistar

A ilusão do existir

Sem as amarras finitas

Todos querem viver

Um sonho perdido

Para descobrir

Que o amanhã se foi

Vá em frente

Tente mais uma vez

A poesia brota

Nas veias curiosas

NÃO PARE

As sombras ficaram

E a noite já passa devagar

Sem a lua para acalentar

Um coração em remendos

Tudo fica em silêncio

A rua sumiu na curva

As nuvens pairam silenciosas

Sem nenhum esforço

Um final de subida forte

A vida que passa pelo fio

Sem ter fechadura para abrir

A porta ficará fechada

Quero sair

Procurar o sol escondido

Na manhã que vai demorar

Sou teimoso até a última nota

NAVEGANTE

SER passageiro da jornada

Com ALMA livre

Soltar as VELAS

Balançar com as ondas do MAR

Sem NADA para prender as amarras

E TUDO por descobrir

O SONHO do menino que cresceu

Deixar a VIDA seguir seu curso

O MUNDO é sua morada

O TEMPO, um amigo inseparável

Amo demais o VAZIO que eterniza

NOSSA LEMBRANÇA

Estrada correu ligeiro

Cruzou nossos olhares

Passou rápido no tempo certo

Deixou marcas duradouras

Quanta graça...

Ficamos bem pertinho

Mãos unidas com firmeza

Vivendo o estar junto

Uma pausa educada

Um respiro aliviado

Olhar para frente...

Buscar uma visão comum

“Quem não arrisca não petisca”

É a popular verdade entre nós

A oportunidade aproveitada

Vivida com intensidade

NOVO AMANHECER

Tudo está escuro

Já não se vê nada

Além do muro

Cheio de bilhetes rasurados

A rua das ilusões

Desparece com a estação

Basta caírem as folhas

Do outono esperado

Quando começar a chuva

Acalme-se e respire

O vapor sobe aos poucos

Descortina-se a esperança

Tranque a luz

Tire esta porta

Parta sem demora

Para o novo amanhecer

NUNCA DEIXES DE PENSAR

Nunca deixes de pensar

Por mais esquisito que possa ser

Deves exercitar os neurônios

Deixar fluir as conexões

Fique atento

Na dúvida é melhor anotar

Depois ler e reler

Pensar sobre o teu pensar

Jamais deixe outros dizerem

Como deves pensar

As certezas são totalitárias

E o caminho mais rápido para a morte

Depois que tu pensares

Sempre avalies se teu pensar

Deixará o outro viver

E livre para também pensar

O TEMPO PASSA

Todo o presente

Já é passado

Nessas veias quentes

Da vida de antes.

Nada que possa

Ser feito além daqui

Será presente para valer.

Talvez, nem a sua definição.

O tempo passa

Rápido pela vida

Que a morte deseja alcançar

E um dia sempre conseguirá.

Parte o tempo sem presente,

Tudo já foi mesmo

E vivemos na ilusão

De que sempre teremos tempo.

ODE À MUSA

Faço breve oração

Com todo meu ser

Unido a você

Na fonte eterna

Amo você

Sempre amarei

Para todo o sempre

Minha existência

Tua existência

Meu corpo

Teu corpo

Fundimos no amor

Nossa aliança rubra

Que nunca será destruída

Nem esquecida

OLHAR DAQUI

Passos rápidos

Levaram a estrada

Para mais perto

Do pôr do sol

Tudo ao lado

Desapareceu na curva

Nas pedras soltas

Nas flores amarelas

O fim de tarde chegou

Tipo visita sem aviso

Tudo se cala

Para ouvir os passos firmes

Parada obrigatória

O ouro no horizonte

Valor maior não há

Olhar daqui e ficar mudo

ONDAS

Olhei o abismo,

Tudo era novo.

Os dedos jovens

Trovejavam emoções.

Uma corrida forte,

Não consigo acompanhar.

O compasso é curto

E meu passo também.

Uma pausa,

Um respiro.

Inspire.

Expire.

Vivo assim,

Nos altos e baixos,

Nas ondas que vão,

Nas ondas que vem.

OPORTUNIDADE

Ilusão perigosa

Querer combater

O desconhecido lá fora

Com o medo aqui dentro.

A natureza é a idosa

E segue sua linha.

Um dia chegará ao fim,

A morte é certa.

Estamos todos nus

Usando máscaras.

Para estar vivo

Fique um pouco mais.

Pense!

Aprenda com o novo.

Uma oportunidade agora

Para ser melhor depois.

OUVIR MELHOR

Regras rígidas demais

Deixam tudo e todos no pó da estrada

É preciso flexibilizar

Expandir a mente

Relaxar um pouco faz bem

Egos altos demais ofuscam o horizonte

O relógio continua fazendo tic-tac

É preciso entrar em sintonia

Sempre é hora

Para mexer nos controles

Afinar o coração

Ouvir melhor a estação do amor

PARA MERECER

Mais um dia...

Pássaros trocam prosa

Abelhas dão rasante

Flores brilham muito mais

Esta chuva maravilhosa

Deixa tudo mais feliz

Irriga os corações

Para semear mais vida

Sigamos em frente

Para merecer

Mais um dia...

PARA SEMPRE

Teu aroma

Teu sabor

Teus beijos ardentes

Lembro sempre...

Qualquer tempo

Qualquer espaço

Qualquer sonho

Em toda minha existência

Ficas sempre comigo

Ao meu lado

Para todo o sempre

PARA VIVER MELHOR

Tudo em volta está pesado

Sem sentido

Arrebentando os diques

De uma existência passageira

A passagem é curta

A porta estreita

As ideias terminam

As possibilidades ficam escassas

Tudo isso já sabemos

Conhecemos o resultado

E não aprendemos nada

Quase nada sobre nosso ser

Ser positivo não quer dizer mofo

Encarar com alegria e felicidade

Um bom começo para ter vantagem

Para viver mais e melhor

PASSAGEM

A ilusão que me acompanha

Em silêncio se despede

No finar da tarde vazia

O sol que vai à frente

Já vinha desde a aurora

Dando força e afago ao coração

Descer daqui do alto

Para o vale gélido interior

Será difícil e possível

Mergulhar nas profundezas de mim

Será viagem sem volta

Sem a volta daquele que já fui

PEDIU POUCO

A solidão chegou

Pediu pouso

Pousou no coração

Na linha do horizonte

Penso ir lá fora

Tomar um ar fresco

Sentir a noite

Velejar com o luar

Não preciso de nada

Basta a solidão

Ela está de volta

Brilha no céu

Uma estrela solitária

Pediu pouco

Pousou no meu coração

Sou feliz assim

PENSE RÁPIDO!

Quando o temporal se avizinha

A criançada volta num raio,

As mães disparam como foguete

Para recolher a roupa do varal.

Quando a liberdade existe

Ela sempre vai mais longe,

Onde começa seu limite,

Há a liberdade do outro também.

Quando é só uma pergunta,

Uma dúvida e nada mais...

É preciso ouvir muito bem

Para não cair no esquecimento.

Quando os tempos são outros

A confusão multiplica como formiga,

Muitos correm daqui e dali

Sem entender muito de nada.

PINK

Venho sonhando acordado

Com o sol já bem alto

Lá na mata do cerro dourado

A pantera passa ligeiro

Ela é diferente

Nunca tinha visto antes

Acho que dormi demais

Devo estar em outro lugar

Ela tem passos lentos

Olha para mim com desdém

E estica um pouco mais

Sua rosada silhueta

Nem sei se vou temer

Correr de tal visão

Ou se vou embalar

E dormir mais um pouco

POEMA NA INCUBADORA

A espera inquieta

O papel macio e vazio

Trouxe alguma coisa

Aquilo que não sei

As paredes assombram

Escondem meus medos

As tristezas de ontem

As lembranças do fim

A escuridão amedronta

Finjo não ter medo

Enfrentarei o desafio

Para o que der e vier

Como pude fazer isso?

Peguei os versos sem corte

Dei fim trágico ao poema

Que veio fazer companhia

POSSIBILIDADE

Nosso teatro insano

Sem luzes da ribalta

Deixava pular a luz

Do teu olhar meigo

Artistas

Poetas

Poemas caem na estrada

Sem medo de ser melhor

São muitas oportunidades

Possibilidades loucas

Que vibram com a poeira

Da nossa passagem singular

POSSÍVEL

Os pés bem plantados

Com olhar livre

Sonhando lá no alto.

Será que é possível

Chegar lá em cima?

Os pés pesam mais,

Querem ficar.

Nada disso!

Um passo, mais outro,

Difícil, mas possível.

QUANDO

Quando te vi

Tudo parou

Só eu caí de joelhos

Na estrada da esperança

Quando passaste

Silenciei as borboletas

Para ouvir com atenção

Teu coração bater forte

Quando olhastes para trás

Fiquei rubro

Meu peito explodiu

Lavas de paixão correram leves

Quando ficastes comigo

O universo sempre atento

Fez brilhar todas as estrelas

Todas eram menores do que tu

QUANDO A BRISA SOPRA...

Teu olhar vivo e sincero

Traz na brisa das lembranças

Os tempos maravilhosos

Que não se perderam

Seria muito pedir

Mais uma chance

Um dia talvez

Para de novo estarmos juntos

Sabe-se lá quando

Não importa se muito

Ou se nunca

Vale a esperança da espera

O querer estar contigo

Mesmo que por um instante

Para apreciar tua leveza

A graça de tão belo sorriso

QUEM IRÁ?

Olhe

Pessoas solitárias...

Elas esperam um olhar

Elas esperam um sorriso

O sol passa por elas

Sem deixar sombra

A lua baila à noite

E as pessoas solitárias

Continuam em sua ilusão

No escuro do âmago vazio

Elas dizem baixinho

Tudo está perdido

As pessoas esperam

Elas esperam um olhar

Elas esperam um sorriso

Quem irá piscar?

Quem irá sorrir?

RETORNO

Olho sempre longe

E tropeço pela estrada

Sem reclamar de nada

Nem do calor que afaga o rosto

Tudo para sentir

Passar sem demora

A areia do tempo

Pelos meus dedos calejados

De nada disso me queixo

E colho no fim de tarde

A solidão de um pôr do sol

Já vi muitos deles

E não me canso de ver

Quando o sol parte

Sonho também um dia partir

Para não mais perder a oportunidade

De estar com ele todas as tardes

Dando um até breve

RODA

Ronda a morte,

Passa perto.

Trouxe um convite.

Sou analfabeto.

Gira a roda

E sento aqui,

Uma hora

Ela para.

Roda

Roda,

Vamos todos,

Gosto de rodar.

Hoje quero

Mais um dia.

Para bem longe

Roda a vida.

SAÍ

Saí

Solitário

Seguindo

Setas

Saudosista

Seu

Sorriso

Senti

Sendo

Sábio

Sobrevivi

Sem

Surtar

Satirizo

Singrando

Sonhos

Senhorita

Sensual

SEGUIR ADIANTE

Tem um ponto na escuridão

O sol quer brilhar

Com os pés cansados

Ainda chegarei

No ponto combinado

O infinito da existência

Abre largo sorriso

Salto pelas palavras

Sem cair nas corredeiras do abandono

É preciso muita calma

Ouvir as flores

Sentir os pássaros

E seguir em frente

SEM CHANCE

Cheguei aqui

Sem saber.

Por que deveria

Viver mais?

Disseram:

Sempre foi assim.

Ninguém faz perguntas,

Todos obedecem.

Por que estou aqui?

Quem decidiu?

Foi o amor,

Dizem uns poucos.

Outros me deixam confuso;

Quero acreditar em alguém.

Agora não posso voltar...

Só posso dar mais um passo.

SEM RUMO

Abra sua janela

Deixe a luz irradiar

A escuridão serpenteia

Pelos cantos da tristeza

As ondas vão e vem

Abra a porta

Deixe o ar quente se espalhar

Dessa sedução que cativa

Se estiver na dúvida

Abra os olhos devagar

A luz do novo é melhor

Ela faz evoluir

Agora parta sem rumo

Abra os braços

Abrace, beije, aceite

Hoje foi um dia singular

SEM TEMPO

Olhei para trás

Vi que meus passos

Sumiram todos

Na curva do sol

O caminho que curvei

Deixou escapar a poeira

A tristeza da solidão

Na batida forte da canção

Vou correr mais e mais

Não tenho tempo para ti

Âncora de navio encalhado

Nos mares da tristeza

Vou partir outra vez

Recomeçar a canção

Sentir o vento no rosto

Nas maçãs geladas e saborosas

SEMPRE AS ESTRELAS

Corriam lágrimas

No rosto quente

Da dor recente

De uma batida forte

Cambaleou pela rua

Equilibrando o corpo nu

Sem ter onde buscar abrigo

O chão acolheu seu rosto

O céu cobriu a lua cheia

Nuvens fantasmagóricas

E muito densas

Para que ela não visse nada daquilo

Caiu ali seu eterno namorado

Dos sonhos ao luar

Por ter descoberto

A beleza das estrelas

SERENIDADE

Moro em qualquer lugar

Já não desejo muito

Quero passear entre as nuvens

Dançar a canção do vento

Ficar recolhido com os trovões

Deixo que tudo siga seu curso

Como a brisa fria da existência

Levando minhas memórias

Elas vão se perdendo aos poucos

Nada de rancor, raiva ou tristeza

Tudo passa como deve ser

Qualquer lugar é bom

Porque sempre trouxe comigo

Minha melhor companhia

SÓ PARA MIM

O chão todo estremeceu

Nasceu um poema

Um lindo pé de alecrim

Cheiroso só para mim

As cortinas balançaram

A poesia entrou

Sentou-se ao meu lado

Contou segredos só para mim

As folhas caíram

A poesia esperava no caminho

Disse que o sol se foi

E contou isso só para mim

Agora com toda calma

Embalo a poesia nos braços

Ela suspira alegre

Veio assim só para mim

SONHO ACORDADO

Nos arredores há luz

Dissipa-se a tristeza

Diante da bela rubra

Nuvens pairam soltas

Mergulham no riso

Deixam tudo leve

Quanta graça no semblante

No intento feliz

De compartilhar o belo

Oh! Noite bela

Distante no passado

Colada ao lado no presente

SONHO BREVE

O coração bate forte

Quando toco tuas mãos

Sinto o calor insano

Da nossa paixão

Na alvorada sonolenta

Nosso suco de laranja

Brinda mais um dia

De amor intenso

Como é bela a vida

Ao teu lado minha amada

No cheirinho de hortelã

Para embalar nosso sonho

SONHO DE VERÃO

Sombra se foi

Noite veio lenta

As ondas passaram

Desapareceram

Já não vejo nada

Sinto carícias geladas

Amainam calor intenso

Há desejos contidos

No meu sonho de verão

SONHO PERDIDO

Lá atrás eu corri

Só para esperar você passar

Alguns segundos de felicidade

Muitos anos de pranto

Agora você volta

Quer que eu fique esperando

Você passar pelo mesmo lugar

Onde você não passará mais

Sigo assim minha sina

Seria o homem mais feliz

Com você aqui ao meu lado

Mas não posso esperar mais

Vamos abandonar a ilusão

Ela é passageira como a aurora

Amanhã virá totalmente nova

Só para lembrar que o impossível não existe

SONHO SEM FIM

Começou bem devagarzinho

O sonho com excesso de neve.

Fazia muito frio dentro e fora

Sem você ao meu lado.

Depois saí pelas ruas

Cambaleando tontamente.

Enfermo e com os pés inchados

Queria logo chegar até você.

O caminho foi muito longo e penoso.

Fiquei perdido em paisagens sedutoras.

Quantas bifurcações, encruzilhadas,

Muitas escolhas erradas.

Agora?

Agora vou parar neste balcão,

Ouvir mais uma vez nossa música

E continuar a sonhar.

SOU

Deixar de ser

Só piora tudo

O chão se parte

E mergulho fundo

Lá não tem nada

A espera é inútil

Sem nada para fazer

Só cair salvará

Caia na tentação

Aquela oferecida por ele

Não desconfie

Vá em frente

É preciso cair

Pensar por si

Ser livre

Voar para o infinito

SOU ESQUECIDA

Vou esquecida

Pela vida a fora

Cantando versos

Descobrindo curvas

Tudo passa

Sempre muito

Muito rápido

Pelos ponteiros do relógio

A vida corre

Esqueço de viver

De estar junto

Encontrar o que sou

Sigo assim esquecida

Um dia talvez lembre

Talvez possamos rir

Do meu tempo de esquecida

TÃO BOBO

Se tem dificuldade

Comece fazendo uma lista

Todo final de dia

Enumere três coisas felizes

Sim

Aquelas onde se sentiu feliz

Isso provocará o cérebro

Ele fará novas conexões

O restante você irá descobrir

Poderá ler sobre para acelerar

Mas pode começar com este exercício

Tão bobo como a minha felicidade em poder ajudar

TARDE NOSTÁLGICA

Fim de tarde

Sol fugindo lá longe

Na linha do horizonte

Para encontrar com a noite

As ondas vão e vem

Um sussurro acolhedor

Chegando de mansinho

Para não assustar

Vislumbro o paraíso

O sonho que engana

Trazendo paz

Onde a solidão quer imperar

Melhor nunca mais sair

Deixar tudo como está

A vida é curta

Então melhor a nostalgia

TESOURO DAS PROFUNDEZAS

Viajei pelos mares bravios

Disseram que te viram nas ondas

Nos mares enfurecidos

E querias me encontrar

Aqui estou

Serei sempre teu amor

Aquele que ouviu tua voz

Teu encanto num canto

Quero mergulhar mais fundo

Ir além das feras

Dos mares das emoções

Sem nenhum alarde

Busco encontrar o tesouro

Escondido nas profundezas

Dos acordes da vida

Que deixam a morte ver poeira

TRÊS

Três graças

O amor

A paixão

A sedução

Três graças

O amor

A esperança

A verdade

Três graças

O amor

A solidão

A tristeza

Como seria sem elas?

O tédio

O fim

A morte

TRÊS CANTOS

Já não quero partir

Deixar essa paisagem

Que me presenteia docemente

E dá vigor ao meu olhar

Quero fincar

Os pés na corredeira

Que leva toda tristeza

Todo pranto secreto

Quero cair na tentação

Do perfume das flores

Lembrar de que tudo passa rápido

Para dar lugar ao amanhã

ÚLTIMA LEMBRANÇA

Estrada silenciosa do meu passado

Deu passagem para tudo e todos

Hoje ela amarga a solidão

Nas suas pedras empoeiradas

Quantos encontros?

Quantas alegrias?

A ansiedade para chegar em casa

A tristeza por mais uma partida

Aqui na curva das paixões

O sol era testemunha dos amores

E a lua derramava gotas de saudade

Agora são só lembranças monótonas

Nada restou além do vazio existencial

A rodovia moderna passa longe

Ninguém mais quer passar por aqui

O frio toma conta e partirei daqui

ÚLTIMO ESTÍMULO

Olhos voltados para dentro

Mente sempre a divagar

Dúvida penetra o coração

Faz ir além da mesmice

A vida... a morte

O amor... o desamor

Nas entrelinhas

Mensagens valiosas

Suave ou grave

A melodia da existência

Passa por caminhos tortuosos

Que levam a verdades escondidas

Então... fique com a poesia

Deixa que toque teu ser

Pois cada verso é um estímulo

Para tua jornada singular

UM SÓ, CONTIGO.

Olho sempre mais longe.

Pensas que nada sei?

Que cheguei aqui vazio?

Ledo engano de quem me vê.

Sei quem maltratou e maltrata,

Quero manter distância.

Minhas algemas do passado

São as dores que sinto agora.

Não se engane, não sinta pena,

Já percebi que és diferente.

Olhas mais longe,

Nada perdes na penumbra.

Estou melhor e continuo atento.

Minha esperança se mantém viva.

Se quiseres ficar comigo

Serei feliz sendo um só, contigo.

UM SONHO

A noite é diferente

Quando o olhar silencia

Trazendo a música forte

Para levar tudo adiante

Importa viver

Mesmo que longe

De onde se queira estar

Para sorrir bestamente

Aqui imagino a burrice

A ignorância de quem não vem

E perde a oportunidade

De um prazer inesquecível

Segue a vida

Até o último acorde

O último aplauso

A solidão do palco vazio

UNIDOS

Quando os olhares se cruzaram

Tocou o acorde da esperança

Tudo num silêncio infinito

Para esperar o seu sim

A noite era toda nossa

Tínhamos uma vida pela frente

Sem nada para cuidar

Além de manter a chama acesa

Os ventos sopraram fortes

A nuvem de areia tentou nos separar

Fomos em frente com toda garra

Fechamos os olhos e pulamos o abismo

A queda foi lenta e fantasmagórica

Todos ficaram para trás

Só nós seguimos buraco abaixo

Unidos para todo o sempre

VALE A ESPERANÇA

Teu olhar vivo e sincero

Traz na brisa das lembranças

Os tempos maravilhosos

Que não se perderam

Seria muito pedir

Mais uma chance

Um dia talvez

Para de novo estarmos juntos

Sabe-se lá quando

Não importa se muito

Ou se nunca

Vale a esperança da espera

O querer estar contigo

Mesmo que por um instante

Para apreciar tua leveza

A graça de tão belo sorriso

VALEU A PENA

Dos olhares matinais

Brotam turvas sonolências,

Crises do pular da cama,

De encarar o sol de frente.

Toda vida, assim também,

Geme num choro sentido

De alegrias passageiras,

Dificuldades diárias.

Será tudo sem sentido?

Penar, sofrer com desgraça,

Existir dia pós dia,

Só por estar obrigado?

Isto só nós saberemos

Quando na linha final

O riso brotar alegre.

Enfim, tudo valeu a pena.

VER ALÉM

Acabei de ler

Que o passado nos assombra

De quanto disso faço parte

Não sei dizer

Passado é lembrança

Que um dia existiu

Hoje pode ser

Só poeira no estradão

Uma hora tudo assenta

A brisa descansa

E o vivente na sombra

Só enxuga as gotas de suor

Tudo passa lá fora

Aqui dentro importa ser

Observador mais que atento

Aquele que vê a si mesmo

VIVA MELHOR

Passa o sol

Passa a lua

Passa a bela

Passa o tempo

Lá fora o outro

Lá longe vai

Lá canta o pássaro

Lá vamos nós

Se está fora

Se já passou

Se não controlo

Se não sou

É preciso cuidar

É preciso usar a razão

É melhor ser o que se é

É a sina do viver melhor

VIVER

Viver é viagem sem destino

Que tem partida desconhecida

É correr riscos o tempo todo

Seguir em frente sem saber o fim

Se ela será longa ou curta

Não tem como saber

Tudo depende da vista

Do ponto cego escolhido

Nossa existência e suas ondas

Movimenta e revigora

Faz descer o céu cá embaixo

Ou leva até o fundo mais fundo

Com todos esses altos e baixos

Para bem navegar é preciso atenção

Aproveitar cada sol e cada lua

Encantar-se com cada segundo de vida

VIVI

Fina flor escondida

Nas paredes mofas

Com sua energia

Brilhava...

Vibrava...

Sua beleza radial

Fazia todos desacelerarem

Parada obrigatória

Na fonte secreta da insanidade

Malícia...

Desejos...

Um gole bastava

Para voltar sem tempo

Degustar o aroma selvagem

Da rosa solitária

Sorridente...

Graciosa

VOLTA RÁPIDA

Peguei a lua crescente

Galopei entre as estrelas

Sem olhar para trás

Só com o vazio pela frente

Fui procurar o extremo de tudo

Tirando as mágoas

E deixando só um rastro

De brilho e esperança sem fim

Quando encontrei o sol

A estrela quase me derreteu

Com pena de mim

Ela deixou meu coração partir

Dei uma volta rápida por aí

Saturno disse que devia voltar

O bicho vai pegar mais uma vez

Hora de voltar e viver na Terra

Sobre o autor

Cláudio Loes nasceu em 1959, em Blumenau/SC, e reside atualmente em Francisco Beltrão/PR. É filósofo, engenheiro elétrico, especialista em Educação Ambiental, escritor, poeta e articulista.

É associado da União Brasileira de Trovadores — UBT Nacional; do Centro de Letras do Paraná; associado correspondente da Academia Paranaense da Poesia; e membro do Centro de Letras de Francisco Beltrão.

Publicou pela Amazon os livros Sete Ventos (2018), Sonho (2018) e Informações básicas para fazer compostagem (2018). Em edições impressas, publicou Sonho (2018) e Poesia Primeira (2022).

Participou das coletâneas Tudo em Versos (2018), Trincas que me Trincam (2020), Conexão VI – Antologia Feira do Poeta (2021), aldraVIAS curitibanas (2022), Trovas e Trovadores: Revista Digital, da União Brasileira de Trovadores (2023), e Pratas da Casa (2023).

Criou os Cartões Poéticos, com edições em 2023, 2024 e 2025. Foi colunista do Jornal Opinião de 2018 a 2023 e editor da coluna Hemera, no mesmo jornal, de 2023 a 2026. É colunista da Via Poiesis, no Jornal Folha do Sudoeste, desde 2021, e da Revista Educação Ambiental em Ação desde 2016.

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