DECLARAÇÃO DE AMOR
A beleza dele é grande
Meu coração se derrete
Para sempre deslizar com ele
Como lava de vulcão
Calmo, paciente, seguro de si
Finge, às vezes, estar longe
Seu beijo de todas as noites
Caminha comigo até o amanhecer
Sem dizer nada mais
Pois ele sabe tudo sobre mim
Espero em silêncio
Espero seu “sim” na alvorada tímida
Sou feliz
Na companhia
Do meu amado, o tempo
O que seria de mim sem ti?
DIZER ADEUS
Uma existência, um caminho.
Cada um deixa rastros,
Alegrias e tristezas,
Pegadas manchadas de lágrimas.
A vida é dura
E a sorte nem sempre sorri.
É preciso seguir a vida
Com muita determinação.
Ao lado estão outros do bando,
Seguem também deixando
Suas marcas e assinaturas,
Seus sonhos e devaneios.
Como será um dia sair daqui?
Sair desta cadeira confortável,
Subir no palco e olhar para todos,
Sorrir e dizer adeus.
ENCONTRO REAL
Em cada ponta virtual
Novas facetas,
Sorrisos incertos.
Sonho com abraços reais.
Tempo esquisito o nosso,
Uma nebulosa em nossas vidas.
Deveria ser colorido e bonito,
Tem sido quadrado e colorido.
Seguimos assim em duas pontas,
O sorriso da deusa,
A meiguice do olhar sincero,
A vontade de estar junto.
Tudo precisa de um grande passo
Depois de se perder no teclado.
Não quero mais nada
Apenas um encontro real.
ESPERANÇA POÉTICA
Quando tudo parece perdido,
Destruído pela insensatez de poucos,
Moído pelos horrores da guerra,
O recomeço estará num poema.
A existência medíocre
Deixa de lado a ignorância
Para velejar nas ondas da vida;
Dribla a morte a cada momento.
Pare um pouco,
Pense,
Acredite,
Dê vida ao poema e o poema retribui.
Alguns versos,
Uma estrofe,
Mais outra
E começamos a ter esperança.
MAIS UMA CHANCE
As lágrimas escorrem geladas
Pelas vaidades da existência,
Escondem o medo
E o desejo do poder insano.
Poderás acreditar em tudo,
Passar para o outro lado,
Mudar a face para escapar,
Apagar qualquer pegada...
O tempo será implacável,
Ficará esperando a oportunidade
Para apresentar a conta
Dos desmandos dementes.
Aí poderá ser tarde
Dirão os melancólicos.
Uma grande chance para mudar
Dirá a vida mais uma vez.
NA ADVERSIDADE
O bambuzal baila sem se opor
Sopram os ventos das ilusões
Uma virada para lá
Outra para mais abaixo
Adversidades... tormentas...
São tantas... a todo momento
Força e dureza apaixonada
Só ferem mais fundo
Sorrir... dançar...
Um passo leve para lá
E outro solto mais pertinho
Para dar início a outro baile
Relaxar a oportunidade
Preparar-se para saltar
Depois... voar rumo ao abismo
Ganhar potência e viver mais
NUNCA DEIXES DE PENSAR
Nunca deixes de pensar
Por mais esquisito que possa ser
Deves exercitar os neurônios
Deixar fluir as conexões
Fique atento
Na dúvida é melhor anotar
Depois ler e reler
Pensar sobre o teu pensar
Jamais deixe outros dizerem
Como deves pensar
As certezas são totalitárias
E o caminho mais rápido para a morte
Depois que tu pensares
Sempre avalies se teu pensar
Deixará o outro viver
E livre para também pensar
PENSE RÁPIDO!
Quando o temporal se avizinha
A criançada volta num raio,
As mães disparam como foguete
Para recolher a roupa do varal.
Quando a liberdade existe
Ela sempre vai mais longe,
Onde começa seu limite,
Há a liberdade do outro também.
Quando é só uma pergunta,
Uma dúvida e nada mais...
É preciso ouvir muito bem
Para não cair no esquecimento.
Quando os tempos são outros
A confusão multiplica como formiga,
Muitos correm daqui e dali
Sem entender muito de nada.
SONHO PERDIDO
Lá atrás eu corri
Só para esperar você passar
Alguns segundos de felicidade
Muitos anos de pranto
Agora você volta
Quer que eu fique esperando
Você passar pelo mesmo lugar
Onde você não passará mais
Sigo assim minha sina
Seria o homem mais feliz
Com você aqui ao meu lado
Mas não posso esperar mais
Vamos abandonar a ilusão
Ela é passageira como a aurora
Amanhã virá totalmente nova
Só para lembrar que o impossível não existe
SONHO SEM FIM
Começou bem devagarzinho
O sonho com excesso de neve.
Fazia muito frio dentro e fora
Sem você ao meu lado.
Depois saí pelas ruas
Cambaleando tontamente.
Enfermo e com os pés inchados
Queria logo chegar até você.
O caminho foi muito longo e penoso.
Fiquei perdido em paisagens sedutoras.
Quantas bifurcações, encruzilhadas,
Muitas escolhas erradas.
Agora?
Agora vou parar neste balcão,
Ouvir mais uma vez nossa música
E continuar a sonhar.
ÚLTIMA LEMBRANÇA
Estrada silenciosa do meu passado
Deu passagem para tudo e todos
Hoje ela amarga a solidão
Nas suas pedras empoeiradas
Quantos encontros?
Quantas alegrias?
A ansiedade para chegar em casa
A tristeza por mais uma partida
Aqui na curva das paixões
O sol era testemunha dos amores
E a lua derramava gotas de saudade
Agora são só lembranças monótonas
Nada restou além do vazio existencial
A rodovia moderna passa longe
Ninguém mais quer passar por aqui
O frio toma conta e partirei daqui
UM SÓ, CONTIGO.
Olho sempre mais longe.
Pensas que nada sei?
Que cheguei aqui vazio?
Ledo engano de quem me vê.
Sei quem maltratou e maltrata,
Quero manter distância.
Minhas algemas do passado
São as dores que sinto agora.
Não se engane, não sinta pena,
Já percebi que és diferente.
Olhas mais longe,
Nada perdes na penumbra.
Estou melhor e continuo atento.
Minha esperança se mantém viva.
Se quiseres ficar comigo
Serei feliz sendo um só, contigo.
UNIDOS
Quando os olhares se cruzaram
Tocou o acorde da esperança
Tudo num silêncio infinito
Para esperar o seu sim
A noite era toda nossa
Tínhamos uma vida pela frente
Sem nada para cuidar
Além de manter a chama acesa
Os ventos sopraram fortes
A nuvem de areia tentou nos separar
Fomos em frente com toda garra
Fechamos os olhos e pulamos o abismo
A queda foi lenta e fantasmagórica
Todos ficaram para trás
Só nós seguimos buraco abaixo
Unidos para todo o sempre
VIVER
Viver é viagem sem destino
Que tem partida desconhecida
É correr riscos o tempo todo
Seguir em frente sem saber o fim
Se ela será longa ou curta
Não tem como saber
Tudo depende da vista
Do ponto cego escolhido
Nossa existência e suas ondas
Movimenta e revigora
Faz descer o céu cá embaixo
Ou leva até o fundo mais fundo
Com todos esses altos e baixos
Para bem navegar é preciso atenção
Aproveitar cada sol e cada lua
Encantar-se com cada segundo de vida
VOLTA RÁPIDA
Peguei a lua crescente
Galopei entre as estrelas
Sem olhar para trás
Só com o vazio pela frente
Fui procurar o extremo de tudo
Tirando as mágoas
E deixando só um rastro
De brilho e esperança sem fim
Quando encontrei o sol
A estrela quase me derreteu
Com pena de mim
Ela deixou meu coração partir
Dei uma volta rápida por aí
Saturno disse que devia voltar
O bicho vai pegar mais uma vez
Hora de voltar e viver na Terra
Sobre o autor
Cláudio Loes nasceu em 1959, em Blumenau/SC, e reside atualmente em Francisco Beltrão/PR. É filósofo, engenheiro elétrico, especialista em Educação Ambiental, escritor, poeta e articulista.
É associado da União Brasileira de Trovadores — UBT Nacional; associado do Centro de Letras do Paraná; associado correspondente da Academia Paranaense da Poesia; e membro do Centro de Letras de Francisco Beltrão.
Publicou pela Amazon os livros Sete Ventos (2018), Sonho (2018) e Informações básicas para fazer compostagem (2018). Em edições impressas, publicou Sonho (2018) e Poesia Primeira (2022).
Participou das coletâneas Tudo em Versos (2018), Trincas que me Trincam (2020), Conexão VI – Antologia Feira do Poeta (2021), aldraVIAS curitibanas (2022), Trovas e Trovadores: Revista Digital , da União Brasileira de Trovadores — Nacional (2023), e Pratas da Casa (2023).
Criou os Cartões Poéticos , com edições em 2023, 2024 e 2025, e o Poetica tibi, aplicativo com poemas para leitura, sorteio, busca por palavras e compartilhamento.
Foi colunista do Jornal Opinião de 2018 a 2023 e editor da coluna Hemera, no mesmo jornal, de 2023 a 2026. É colunista da Via Poiesis, no Jornal Folha do Sudoeste, desde 2021, e da Revista Educação Ambiental em Ação desde 2016.
Sobre o Poetica tibi
O Poetica tibi reúne cem poemas de Cláudio Loes em um aplicativo gratuito, acessível pelo navegador e instalável no celular.
A leitura pode seguir a ordem dos poemas, partir do índice, ocorrer pelo sorteio de um poema ao acaso ou pela busca de palavras. O aplicativo também permite compartilhar cada poema individualmente.
Primeira e única versão: junho de 2026.
Direitos autorais
É permitida a reprodução dos poemas, individualmente ou em conjunto, desde que sejam preservados o título e o conteúdo integral de cada poema, conste Cláudio Loes como autor e seja indicada a fonte: poeticatibi.cloes.com.br.
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